Memórias da Emília - Monteiro Lobato
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Ela é espevitada, mal-educada e consegue fazer de qualquer brincadeira uma grande aventura. Imagine o que acontece quando esse pedaço de pano decide publicar suas Memórias... Claro que o trabalho duro fica para o Visconde, obrigado a escrever tudinho, até viagens que nunca aconteceram, já que para Emília "a verdade é uma espécie de mentira bem pregada, das que ninguém desconfia". Anjinho de asa quebrada, Peter Pan e até Popeye aparecem nas histórias malucas da boneca, que entre uma peripécia e outra dá lições pra muita gente grande: "Dizem que não tenho coração. Tenho, sim, só que não é de banana... Mas ele dói quando vê uma injustiça. Dói tanto, que estou convencida que o maior mal deste mundo é a injustiça'. Alguma dúvida de que Emília sabe das coisas?

As aventuras de Emília e companhia apresentavam, na forma, outra revolução: o rompimento com a linguagem pomposa. Em seu lugar, entra em cena a oralidade, inserindo a literatura brasileira no século 20. No entanto, mesmo que pioneiro, Lobato era num homem do seu tempo, sujeito a limitações e contradições.
Sim, expressou em muitos escritos um racismo evidente – supostamente fruto de uma época, como se as épocas servissem de álibis...Ficamos espantados, naturalmente, com o uso de expressões como “negra beiçuda” e “macaca de carvão” para referir-se a Tia Nastácia. A dúvida é: como tratar hoje essa questão nas histórias voltadas para crianças?
O valor literário da obra de Lobato é inegável. Adulterar seu texto não pode ser opção. Houve quem se arvorasse a pedir censura parcial dos livros. Mais ou menos o que o abolicionista Rui Barbosa – um dos maiores entusiastas de Lobato, aliás – fez quando mandou queimar os arquivos da escravidão para apagar a grande mancha da nossa história. Como se a mancha fosse embora como se o registro.
Mas ler Lobato hoje, no que ele traz de louvável ou reprovável, é uma aposta no poder transformador da literatura. Podemos aprender nosso papel num novo século, em que o preconceito e o racismo não são mais tolerados. Podemos fazer de nossos filhos parceiros não apenas nessa jornada pela fantasia, mas também na construção de um mundo melhor. Sem apagar na memória. Feito com homens e livros.
O ilustrador
Jótah (José Roberto de Carvalho) é autor e ilustrador de livros infanto-juvenis. Suas ilustrações também estão em clássicos da literatura mundial como Macbeth, de William Shakespeare, A Ilha do Tesouro, de Robert Louis Stevenson, Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, e Os Miseráveis, de Victor Hugo.
Colaborou, ainda, em realizações do cinema (Aladim, da Disney, Turma da Mônica, entre outros) e da televisão, com destaque para o programa RÁ-TIM-BUM.
“Todo ilustrador sonha em ter a oportunidade de ilustrar os contos escritos por Monteiro Lobato, comigo não foi diferente. Imediatamente lembrei da canastra da Emília. Peguei o baú onde guardo meus materiais de desenho: lápis, canetinhas, tintas de todas as cores, papéis e comecei a desenhar... A Emília, o Visconde, o Marquês de Rabicó e, claro, entre tantos, a Narizinho. Rapidinho tudo ficou pronto. Voltei a ser criança”, conta Jótah.
https://www.jotahilustrador.com.br
@jotah_ilustrador
| EDITORA: | Lafonte |
|---|---|
| ISBN: | 9788581863498 |
| ALTURA: | 22 cm |
| LARGURA: | 16 cm |
| PROFUNDIDADE: | 1 cm |
| NÚMERO DE PÁGINAS: | 125 |
| IDIOMA: | Português |
| NÚMERO DE PÁGINAS: | 2019 |
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O Saci - Monteiro Lobato
(Cód.: P-9788581863474 ) | LafonteCom ilustrações de Jótah (@jotah_ilustrador)
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