Bíblia da cachaça
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Bíblia da cachaça

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A produção da cachaça artesanal é um mundo de cores, aromas e sabores que retratam o Brasil com perfeição. Desde sua origem, no século XVI, a bebida acompanha nossa história com personalidade. Neste livro, você encontra detalhes dos tipos e até a lista dos 100 rótulos que abrem as portas do paraíso com apenas uma bicadinha. Sente-se, capriche na dose de sua caninha predileta e não tenha pressa: uma verdadeira viagem cultural e gastronômica o espera até chegar à saideira.

Saúde!

The universe of artisanal cachaça is colorful, aromatic, and flavorful. It paints the perfect portrait of Brazil. Ever since its origins in the 15th century this distilled and charismatic liquor has been starring in our history. This book will get you through the different styles of cachaça,featuring a must-see list of the top 100 labels that will take you to seventh heaven after one single sip. Put your feet up, pour some of your favorite cachaça, and don’t rush: a real cultural and gastronomic ride awaits you - until it’s time to call one for the road.

Cheers!

Apresentação

Sotaque Brasileiro


Cachaça é a autêntica bebida alcoólica nacional. Ela entrega prazer desde a primeira metade do século XVI, quando a cana-de-açúcar começou a pautar as diretrizes econômicas do Brasil Colônia. Escravos africanos e senhores de engenhos foram os primeiros
a degustar uma beberagem que, por motivos óbvios, ainda estava longe dos padrões de qualidade apresentados hoje. Primeiro, a produção açucareira alcançou o Sudeste e o Nordeste. Depois, por conta do desinteresse internacional pelo açúcar, em meados do século XVII, vieram os ciclos do ouro (Minas Gerais), do algodão (Nordeste) e da borracha (Norte). 
Desse modo, a partir dos engenhos nordestinos, com a movimentação de escravos, negociantes, gestores e funcionários em geral, a cachaça espalhou a sua presença por todo o território. 
Seu potencial dionisíaco, mais ou menos dramático, sempre foi marcante na estrutura que se organizou para sustentar as cadeias produtivas desses ciclos: núcleos de mineração, engenhos, senzalas, grandes fazendas algodoeiras e cafeeiras, seringais, cacauais, portos fluviais e litorâneos, estradas, caminhos tropeiros...
Todos sempre acompanhados por bons tragos. Não é por menos que escritores, poetas, artistas populares, cineastas, publicitários e músicos lançam mão da bebida na construção de personagens e circunstâncias festivas, religiosas e políticas.
Além de ajudar a explicar os traços culturais de nossa aventura civilizatória, ela também é fonte de renda e uma poderosa geradora de empregos em micro, pequenas, médias e grandes empresas. 
Desponta como produto de ampla aceitação no mercado interno e, de modo progressivo, em países como Alemanha, Estados Unidos, Portugal, França, Espanha e no Reino Unido.

Muito além do carvalho

Os vários traços regionais brasileiros presentes na cachaça artesanal resultam em bebidas plenas de aromas e sabores. Essa condição se dá não só pelos aspectos técnicos envolvidos, mas pela possibilidade de uso de madeiras diversas – nativas ou exóticas – para
períodos específicos de descanso e envelhecimento. A lista é extensa, com predominância de tonéis feitos de amburana, bálsamo, ipê, freijó, jequitibá, amendoim, castanheira, eucalipto e, continuadamente, carvalho. 
Que outro destilado permite maturações tão criativas e resultados tão distintos? E tem, ainda, a branca, pura, a cachaça que não repousa em madeira, mas que, na boca e no nariz, esbanja o frescor da cana-de-açúcar.
O contexto jamais foi tão favorável para a bebida e, por isso, é crescente o cuidado de centenas de produtores com seus atributos. Hoje, a cachaça ganha destaque em bares refi nados, restaurantes conceituados, nas casas de brasileiros de todas as partes e até mesmo em museus.
A bebida compõe drinques, flamba e tempera pratos salgados e doces, estimula relacionamentos, aquece momentos e é uma excelente promotora de turismo. Também inspira livros, como este, que ajudam a narrar a sua notável trajetória.
O convite está feito. Conhecer no tempo e no espaço a cachaça artesanal ajuda a entender a formação de alguns pilares da sociedade brasileira. Também é uma viagem de aromas e sabores que apenas começa a ser trilhada por apreciadores de outras partes do planeta. Sirva-se, mas não sem antes, como quer a tradição, oferecer uma dose para o santo na esperança de garantir fartura e felicidade.

Saúde!

 

A Brazilian accent

Cachaça is the authentic spirit of Brazil. It has been a source of pleasure since the early 1500s, when sugarcane first started to guide the economy of Colonial Brazil. African slaves and sugar mill owners were among the first individuals to taste this beverage, which for obvious reasons was still far from the quality standards we are familiar with today. 
At first, sugarcane production flourished in the Southeast and Northeast parts of Brazil. In the 1600s, since the foreign market showed little interest in Brazilian sugar, the main economic activities in the country became gold mining in the State of Minas Gerais, cotton in the Northeast region, and latex extraction in the north.
Consequently, as Northeastern sugar mills started to see a larger movement of slaves, traders, managers, and government workers in general, cachaça became widespread throughout the region. Due to its more-or-less dramatic Dionysian potential, cachaça played an important role within the structures organized to support production chains in these economic cycles: mining, sugar mills, slave  quarters, large cotton and coffee plantations, latex extraction, cocoa farms, river docks and sea ports, roads, bridle paths, etc. Throughout all these environments, everyone enjoyed a good shot of cachaça. Not surprisingly, writers, poets, popular artists, filmmakers, advertisers, and musicians resort to this distilled spirit when creating characters and festive, religious, and political situations. In addition to explaining the cultural traits of the Brazilian nation building process, cachaça is also a source of income and a strong job creator in micro, small-sized, medium-sized, and large companies alike. It is a widely-accepted product in the domestic market and, in recent years, it has been gaining ground in countries such as Germany, the United States, Portugal, France, Spain, and the United Kingdom.
The regional Brazilian traits present in artisanal cachaça result in distilled spirits that are full of aromas and flavors. This is not only due to the technical aspects involved in cachaça making — it also lies in the large variety of native or exotic woods available to be used for barrels during the resting and aging steps. A more condensed list includes barrels made of Amburana, Balsam, Tabebuia, Cordia, Cariniana, peanut trees, chestnut trees, Eucalyptus, and more consistently oak. 
Is there any other distilled spirit that can age in such creative environments and yield such different results? Additionally, white cachaça — also known as “pure” — does not rest in wood barrels at all, yielding fresh sugarcane aromas and flavors.
The current climate has never been more favorable for cachaça production in Brazil, and that is why hundreds of cachaça makers are carefully crafting their product with its traits. 
Today, cachaça is in focus in many upscale pubs, respected restaurants, homes all over Brazil, and even museums. This distilled spirit is used in cocktails, fl ambé, and sauces and dressings for sweet or savory dishes. It also ignites relationships, heats up the moment, and is an excellent ambassador for tourism in Brazil. Cachaça even served as inspiration for books, such as this one, whose goal is to help spread its remarkable story. Here is our invitation: Understanding artisanal cachaça in time and space will help you understand how some pillars of Brazilian society were built. We will also enjoy a pleasant journey through aromas and fl avors that are yet to be discovered by many cachaça imbibers the world over. Pour yourself a shot, but make sure you follow the tradition and, fi rst and foremost, offer a small dose to the “Saints” in hopes that they will bring you abundance and happiness.

Cheers!
Spoiler
Ficha Técnica
EDITORA: Lafonte
ISBN: 9788581862736
ALTURA: 26 cm
LARGURA: 21 cm
PROFUNDIDADE: 1 cm
NÚMERO DE PÁGINAS: 240
IDIOMA: Português
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